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segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Da Série: Enquanto o Sono Não Vem

Tinha uma mania estranha de amar tudo que não era dela, tudo que a ela não pertencia. Aliás, coisa chata pra ela era essa das pessoas quererem ter pra si tudo aquilo que amam. Escuta: deixa estar, deixar ir, deixa voar. Nada é mais encantador do que a liberdade. Então deixa livre quem se ama pra voar. Se quiser voltar, que seja por querer e não por ter. Amar é uma questão de sentir, não de obedecer. Se não quiser também, amém, por falta de amor que não será. O objeto do amor nunca foi nosso, nem nunca será. Nosso é tão somente a capacidade de amar e o amor que podemos dar.

#amor #escrevaescrevaescreva #keeponwriting #omundodemavi

MaVi





terça-feira, 11 de agosto de 2015

Feliz 188!


O quinto ano chega cheio de pressão: é prova, tese, OAB, concursos e o famoso "que porra eu vou fazer da minha vida agora?" Dai, a gente começa a odiar tudo: a burocracia, o direito, as aulas (se é que um dia a gente gostou delas), os professores (se é que um dia a gente gostou deles) e até as arcadas ( o bandex não, porque o bandex sempre salva!). Dai, a gente começa a descontar tudo na Velha Academia, se perguntando porque diabos a gente escolheu estar ali. Eis que dai, a gente resolve remexer nos arquivos da vida e se depara com aquele e-mail que a gente mandou pro professor no dia em que a gente passou no vestibular. Dai, a gente se toca da injustiça que tá cometendo, relembrando que um dia, a tal Velha Academia foi o motivo da nossa maior alegria. 

Sanfran, desculpe-me pela ousadia. Eu fui filha rebelde, mas não foi por maldade. Agora que a minha trajetoria está chegando ao fim, mal posso segurar a saudade. 
Se serei advogada, juíza, jurista de verdade? Quem sabe? Mas uma coisa eu serei com certeza, serei sempre Franciscana.

Feliz 188!



From: pitita_ptt@hotmail.com
To: vaipapu@hotmail.com
Subject: EU SOU FODAAA!
Date: Fri, 19 Feb 2010 05:40:55 +0000


Vogt,

primeiro eu gostaria de me apresetar. Eu fiz extensivo manhã em 2009 e me sentava no fundo da sala. Eu sou aquela que respondia “não” toda vez que você perguntava sorridente: “Vocês estão bem classe?”; e sou eu tbm que gritava “bixa” toda vez que sua voz falhava ou que vc resolvia se soltar lá na frente. Sou eu ainda que chorava de rir quando vc cantava aquela música do shampoo. Por último, eu sou aquela que por tantas vezes vc pediu pra ficar quieta, mas pra quem vc nunca negou atenção quando eu tive dúvidas. Sabe, eu sei que a minha descrição foi bem vaga e que ela pode se referir tanto a mim, quanto ao poliedro todo, mas ainda assim, esse ano, eu não fui apenas e tão somente mais uma aluna. Vogt, eu passei na PORRAAAAA DO LARGO SÃO FRANCISCOOO e quer saber?? EU SOU FODAAAA!!!

Eu sei que além de mim passaram mais 459, mas isso não importa. O MEU NOME TAVA LÁ! Eu chorei que nem criança, parecia que eu saia na rua e todo mundo me olhava com admiração...hauahauahau O trote foi um dos dias mais especias da minha vida, eu sorria à toa. Nunca foi tão bom fazer pedágio embaixo de sol do meio-dia.
Agora eu sou livre pra dividir por 0 e de física só me lembro de que “os opostos se atraem”...;)

Brincadeiras à parte, tudo isso foi pra agradecê-lo por todo apoio, por toda a paciência e atenção. Talvez eu nunca vá compreender o real significado do que é ser professor, mas já não me é tão estranho pensar no que motiva pessoas a trabalharem das 7:00 às 21:00, de segunda à sábado, incluindo feriados....Obrigada por me ajudar a realizar o meu sonho, PROFESSOR!




                                                                                                                        MaVi

#Feliz188 #Sanfran #VelhaAcademia #escrevaescrevaescreva #keeponwriting #omundodemavi

Essa Gente

Essa gente que segue o que sente. Essa gente que ao coração não mente. Essa gente louca, inconsequente. Essa gente que assusta tanto a gente. Essa gente é que é feliz, infelizmente. 

MaVi

#Essagente #escrevaescrevaescreva #keeponwriting #omundodemavi


sexta-feira, 12 de junho de 2015

Feliz Dia do Amor

            Eu era ainda pequena quando ouvi essa palavra pela primeira vez na boca de gente grande. E gente grande é assim: tem mania de querer enfeitar, falar bonito e acaba dificultando tudo. Eles diziam, eu me lembro, que havia no mundo uma força oculta chamada amor. E essa força era tão grande e poderosa que era capaz de mover montanhas e de fazer chorar até o mais forte dos homens. Eu não entendi muito bem o que eles queriam dizer com isso, mas cresci achando que o tal amor deveria ser algo bom.
            Alguns anos depois, ainda no colégio, eu escutei algo que, mesmo ainda não fazendo sentido, me deixou bastante intrigada. Foi na aula de Literatura, cujo professor era uma dos meus prediletos, que eu ouvi pela primeira vez aquela que, posteriormente, se revelaria a mais difícil das verdades: “Já dizia Camões – ele falava – que a amor é o sentimento mais dúbio que existe, porque o amor vai te trazer a maiores felicidades e os sorrisos mais doces, mas também as piores dores e as lágrimas mais amargas.”
            Pois bem, eu cresci. E a vida se encarregou de me mostrar que era exatamente assim que o amor funcionava. E eu me vi indo do extremo da felicidade ao extremo do desespero e tristeza, sem sequer entender porquê. Num dia eu me vi sorrindo sem motivo e pensando que o mundo poderia acabar no instante de um abraço; e, no outro, na agonia de ter que deixar o outro partir, de ter que dizer adeus, de me sentir sem chão e sem vontade até de comer (e olha que eu gosto muito de comer!).
            E neste instante eu senti saudade de mim quando não entendia nada do amor, ou de quando amor pra mim se resumia ao “te amo, papai” e “te amo, mãe”. Eu me senti frustrada e enganada pelos meus próprios sentimentos. Eu me senti a mais estúpida das pessoas, a mais boba das crianças. Eu senti raiva do amor e do amar e cheguei a preferir ter dois cérebros no lugar de um coração pra ver se a vida se tornava um pouco mais racional.

            Hoje eu rio da minha própria inocência. E não, não é porque eu amadureci e aprendi a lidar com as dores do amor – mesmo porque eu acho que contra isso não existe remédio - mas é porque eu aprendi a entender o amor. E eu enxerguei i que o amor é algo muito maior do que o que se costuma chamar de amor e a sua grandiosidade se faz até na sua simplicidade. Porque o amor não complica. Não, pelo contrário. Ele se faz presente e se constrói naquilo que cada um de nós é capaz de amar. E a verdade que ninguém nunca nos contou é que não somos nós quem escolhemos o amor, é o amor quem escolhe a gente. 


MaVi

#diadosnamorados #diadoamor #escrevaescrevaescreva #keeponwriting #omundodemavi

quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

O Natal Pertence às Crianças

Foi uma noitada até que boa pra um 23 de Dezembro: duas doses de Jack Daniels, alguns shots de José Cuervo, meio maço de Malboro Vermelho; uma menina embriagada, um Natal arruinado, né?
                É, eu odiava o Natal.  
                Natal pra mim já deixara de fazer sentido há muito tempo. Nunca fui do tipo religiosa, Igreja sempre foi sinônimo de “as chatisses a que sou obrigada pelos meus pais”e Natal era o Ó da hiprocrisia. Aliás, por diversas vezes já me questionei se as pessoas de fato sabem o que se comemora no Natal, além da gula e do consumismo. Além da vaidade de fingir que se tem uma família linda, unida e feliz. Ainda bem que inventaram o Papai Noel, talvez ele seja a coisa mais real que exista no Natal.
                Já eram 6:30 da manhã quando eu voltava pra casa. Minha cabeça latejava e eu só conseguia imaginar o som estridente da voz da minha mãe me acordando a dali algumas horas pra ajudá-la com os preparativos do Natal.
                “Onde você guardou os enfeites de mesa?”
                Eu odeio o Natal.
                “Já colocou o Peru no Forno? O pudim ainda tá no fogo? Vai queimar!”
                Eu odeio o Natal.
                “Já escolheu sua roupa? Ainda não tomou banho? Tem que estar bonita! Suas primas vêm sempre tão arrumadas! ”
                Meu Deus, desculpa eu a hipocrisia, mas eu odeio o Natal.
                Ergui o volume do rádio pra ver se calava a boca daquele meu superego inconveniente tranvestido de mãe. Deixe-me em paz, será que eu não posso simplesmente não gostar do Natal?
                NÃO EU NÃO PODIA! E foi o próprio rádio quem jogou isso na minha cara ao começar a tocar aquela velha e conhecida música de Natal da Simone “Então é Natal”. Lembra? Aquela que começa te perguntando “e o que você fez?” e que diz que Natal é coisa "do velho e do novo”, “do amor como um todo” e termina falando de Hiroshima e Nagasaki. Na boa, acho aquela música um puta apelo emocional, como se eu fosse obrigada a me comportar direitinho pra ser recompensada por isso depois. (E que tipo de recompensa? Hein? Será que eu quero?) O problema é que eu, assim como muitos, eu acredito, cresci ouvindo aquela música no Natal e quando ela começou a tocar no rádio foi a vez dos meus pensamentos flutuarem.
                E eu me lembrei da época em que, pequena, esperava ansiosa pelo Natal. E não só por causa dos presentes – mas principalmente por eles – mas também porque Natal era quando a casa estava em festa. Lembrei que Natal era quando eu via um montão de gente que vinha de longe. Tá certo que pra maioria eu não dava a mínima, mas tinham alguns poucos que eu gostava muito e que era só no Natal quando eles vinham. Alguns que, inclusive, nunca mais verei. Lembrei que Natal era quando eu ainda acreditava que meus pais se amavam, pelo menos eles fingiam bem isso, e quando nenhum deles tinha que dormir cedo pra trabalhar no dia seguinte. E era só no Natal quando a nossa família estava completa. Lembrei que só no Natal eu não brigava com o meu irmão, já que ele, entretido com os seus brinquedos, esquecia de mim e das minhas bonecas. Natal era quando eu podia ficar acordada até de madrugada e era a única ocasião durante a minha infância em que eu dormia picado, já que acordava diversas vezes durante a noite pra conferir se meus brinquedos estavam lá ou se tinham sido só sonhos. Lembrei que no Natal eu podia comer quantos doces quisesse que nenhuma cárie iria me pegar. Lembrei que Natal era quando eu me sentia feliz ao ir dormir e continuava feliz ao acordar, sabendo que aquela comida gostosa ainda estaria lá.
                Eu não me lembro da música acabar e demorou ainda um tempo mais pra eu conseguir me situar. Durante aqueles poucos instantes em que estive longe eu revivi o Natal que o tempo havia levado de mim. O verdadeiro espírito de Natal que eu conheci quando criança mas que, infelizmente, eu deixei morrer junto ao envelhecimento do meu próprio espírito. E senti que a minha maior ingenuidade tinha sido odiar o Natal pelo ódio que eu mesma acumulara do mundo e das pessoas. Não, eu não podia simplesmente odiar o Natal; eu não tinha esse direito. O Natal, o verdadeiro Natal não pertencia a mim nos meus arrogantes 23 anos, porque o Natal não pertence aos adultos que nos tornamos, mas vive junto a nós na lembrança da criança que um dia fomos.
                Minha cabeça ainda latejava quando eu cheguei em casa. Com alguma sorte conseguiria dormir umas 3 horas. Olhei a árvore de Natal no canto da sala e abaixo dela um embrulho com o meu nome. Perguntei-me se eu realmente merecia ganhar alguma coisa no Natal. Não, eu não merecia. Mesmo assim, dormi picado imaginando, ansiosa, o que conteria o tal embrulho.  
 
 
                                                                                                                     MaVi
 
#natal #escrevaescrevaescreva #keeponwriting #omundodemavi

domingo, 30 de novembro de 2014

Teu Eu

Deixa a música rolar, deixa a vida acontecer: pra quê tanta pressa? Lugar melhor não há a conhecer do que o interior do nosso próprio ser.

Põe de canto as coisas tuas, senta aqui do lado meu, fuma só um cigarro mais; conte-me mais sobre você.

O amanhã pra mim não serve; amanhã nossos sonhos e medos serão outros, nosso hoje será pouco.

Então fica mais alguns instantes, abraça-me nos braços teus, beija os lábios meus, envolve-me no teu eu.

MaVi
#teueu #escrevaescrevaescreva #keeponwriting #omundodemavi

domingo, 2 de novembro de 2014

Insônia

Insônia? É, insônia! Sabe o que é? É que, no fundo, eu gosto mesmo é da noite. É, da noite. A noite me intriga. Porque é quando a noite vem que os sentimentos afloram e que as pessoas são mais intensas. É sempre a noite que guarda as melhores festas, os maiores porres e os beijos mais quentes. Aliás, lembra daquela "noite" inesquecível? Mas é à noite, também, que a solidão bate forte, que a casa, escura, fica sombria e que a menina, sozinha, olha a cama vazia e chora abraçada ao travesseiro. É sempre à noite; nunca de dia. E enquanto os dias se repetem, viram rotina, a noite se renova, se inova e traz consigo sempre uma nova história. Insônia, né? É assim que eles chamam. Pois é. É realmente uma pena que pra eles a noite seja feita pra dormir.

#insônia #escrevaescrevaescreva #keeponwriting #omundodemavi 

MaVi